23 de mar de 2013


Débito de sono — um problema crescente?
MILHÕES de pessoas hoje estão seriamente “endividadas”. Essa dívida pode ser um dos principais responsáveis por tanta gente destruir o carro em acidentes, prejudicar sua carreira e até arruinar o casamento. Afeta também a saúde e a expectativa de vida. É um déficit que enfraquece o sistema imunológico, deixando a pessoa suscetível a várias infecções. Diversos problemas de saúde, como diabetes, doenças cardíacas e obesidade mórbida, entre outros, têm sido relacionados a esse débito. Mesmo assim, a maioria de suas vítimas o ignora.
Estamos falando do débito de sono, que se desenvolve quando a pessoa não tem um sono de qualidade o tempo suficiente para levar uma vida saudável. A privação do sono pode ser voluntária, devido ao estilo de vida da pessoa, ou involuntária, em razão de uma doença.
Pesquisadores médicos calculam que a população da Terra atualmente dorme em média uma hora a menos que o necessário por noite. Embora individualmente talvez pareça pouco, o débito conjunto de seis bilhões de horas por noite tornou-se a prioridade nas pesquisas tanto sobre as diversas doenças relacionadas ao sono como sobre seu impacto na qualidade de vida dos afetados.
No passado, a classe médica encarava a incapacidade crônica de dormir como um distúrbio único, normalmente chamado de insônia. No entanto, uma comissão criada pelo congresso norte-americano identificou 17 distúrbios do sono. De qualquer modo, a insônia tem tantas causas que muitas vezes é considerada um sintoma de outros problemas, assim como a febre é indício de algum tipo de infecção.
Mesmo a privação ocasional do sono pode ser desastrosa. Considere o caso de Tom. Embora fosse motorista experiente, tombou sua carreta-tanque num barranco, derramando 400 litros de ácido sulfúrico numa via expressa de grande circulação. Tom admite: “Peguei no sono.” Estudos sobre os acidentes ocorridos em duas rodovias dos EUA revelaram que motoristas sonolentos causaram cerca de 50% das colisões fatais.
Considere também os riscos de trabalhar com um colega sonolento. A pesquisadora australiana Ann Williamson diz: “Depois de 17 a 19 horas sem dormir, o desempenho [dos participantes] em alguns testes era equivalente ao de pessoas com [uma taxa de álcool no sangue de] 0,05%, ou mais.” Em outras palavras, eles se saíram como se estivessem no limite legal de álcool permitido na corrente sanguínea em alguns países, ou além do limite! Com centenas de milhares de acidentes de trânsito e de trabalho provocados pelo sono em todo o mundo anualmente, as perdas na produção e o sofrimento das famílias são enormes.*
Que fatores talvez contribuam para o débito de sono? Um é o fenômeno que tem sido chamado de regime 24/7, segundo o qual as empresas operam 24 horas por dia, sete dias por semana. O jornal USA Today descreve-o como “uma reviravolta cultural que está mudando a maneira como vivemos”, observando que “uma nova onda de lojas e serviços 24 horas está tendo lucros funcionando sem parar”. Em muitos países as pessoas assistem a programas de TV noite adentro e acessam a internet, quando deveriam estar dormindo. Outro fator envolvido são os distúrbios emocionais, muitos deles relacionados a ansiedades agravadas pelo estresse e pelo estilo de vida. Finalmente, há diversas doenças físicas que podem contribuir para o débito de sono.
Muitos médicos reconhecem que é difícil fazer seus pacientes levar a sério o débito de sono. Um médico lamentou que a fadiga crônica seja até mesmo considerada “um símbolo de status” por algumas pessoas. E visto que seu estado de saúde piora bem lentamente, as vítimas da privação de sono talvez não percebam que sofrem de um grave distúrbio. Muitos racionalizam assim: ‘só estou ficando velho’; ‘não consigo resolver meus problemas e isso acaba comigo’; ‘estou sempre cansado porque nunca consigo descansar o suficiente’.
Acabar com o débito de sono é um desafio complexo. Mas se a pessoa entender como funciona o ciclo de um sono saudável e aprender a identificar os sinais de débito de sono, talvez consiga a motivação para fazer as mudanças necessárias. Reconhecer os sintomas de um distúrbio grave do sono pode salvar vidas.

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